quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Na vida sou o que tolero

O que determina o que você é? As coisas que tem? O que conquista? O que deseja ter? O que deseja ser? É mesmo verdade que na vida, para certas situações, não existem opções? Não existem escolhas?

É fato que ter coisas e fazer coisas é imensamente importante. Coisas assim tornam o horizonte palpável, de alguma forma torna o futuro concreto. É mesmo verdade que precisamos projetar em coisas, objetos, conhecimento, diplomas, estudos etc àquilo que perseguiremos na vida para ela ser mais forte ou consistente. Para sentirmos que temos sucesso.

Só me pergunto... o que sou? Quem está me esperando quando volto ou quando vou? Quem está me olhando por como sou, o que penso, sinto e o que espero da vida e das pessoas? Eu sou aquilo que construo para mim mesma. Não me refiro a posses materiais, mas ao respeito que tenho de mim mesma, ao que tolero para minha vida e ao que me sujeito aceitar.

Não importa o sucesso que eu tenha ou se minhas posses são poucas ou pareçam insuficientes se eu sou alguém pouco amada, pouco animada, pouco esperançosa. Não importa o meu grau de instrução e de conhecimento elevado, se o que sou não inspira as pessoas ao meu lado, se não as leva a serem melhores ou se ainda não tiver alguém para me abraçar quando eu voltar todos os dias.

Eu sou aquilo que espero para mim mesma. Sou aquilo que aceito para minha vida e aquilo que posso suportar. Sou aquilo que dedico aos outros. Minha educação, meu carinho, meu respeito por elas. Mas, acima de tudo, sou o quanto participo da minha própria vida.

E você, como tem participado da sua vida? Tem se preocupado em ter e fazer para sentir-se alguém?

Por muito tempo vivi “tendo e fazendo” coisas. Fui a lugares lindos, obtive alto grau de conhecimento, construí uma carreira. Hoje, comecei a pensar o que sou. Me vi sem resposta. Por um longo tempo tolerei os padrões externos de TER = FAZER = SER. Passei por cima dos meus valores de liberdade e segurança sem ao menos perceber que ser é apenas uma questão de participar de mim mesma.

Não tenho uma fórmula mágica para ensinar como ser. Sei simplesmente que é preciso começar entendendo que SER = FAZER = TER, e que esse processo dói um pouco... Às vezes dói muito.
É preciso entender que sempre existem opções. Independente de quais são, elas estão aí para serem escolhidas. Sempre trarão consigo ganhos e perdas. Sempre trarão consigo conseqüências positivas e outras nem tão boas assim.

Eu sei que são muitas perguntas para uma reflexão tão rápida. Sei também que parece estar na contramão do que todo mundo diz... mas pensa bem... se o que você tem e faz determina – ou parece determinar – tudo o que você é... o que você será hoje se perder tudo isso?
Uma pergunta forte não é? E já que você leu este texto até agora, tem duas opções: 1) Seguir falando consigo mesmo ao acompanhar minhas palavras 2) Deixar prá lá e achar que isso tudo é uma besteira.

Quero deixar claro que não me oponho ao ter e ao fazer, quero apenas compartilhar algo que aprendi sobre ser alguém. Estou, admito, passando por um momento de descobrir o que sou a partir do que tolero e dos preços que quero pagar pelas minhas decisões.

Volto a dizer que não pretendo fazê-los mudar de opinião ou de vida porque escrevo o que penso. Quero apenas dividir como vejo a vida, como vejo o mundo. Poderia ocupar este espaço dizendo tudo o que tenho e o que faço – que hoje não me parecem muitas coisas – mas quero compartilhar o que sou:

Sou filha de um sapateiro que lutou para que seus 4 filhos estudassem. Uma jogadora de futsal que tem pavor da bola. Feliz porque tenho valores e fé em Deus. Irmã, filha, tia orgulhosa da história de luta e vitórias que vejo todos os dias na minha família. Abençoada porque consegui mudar minha história participando de projetos sociais quando criança. Saudável física e emocionalmente porque tenho uma mãe que dedicou sua vida para me proteger e educar. Meio boba porque choro em filme de terror e de amor.

Sou medrosa. Sou forte e fraca ao mesmo tempo. Alguém que duvida da vida e da democracia. Uma amiga que falha muitas vezes com aqueles que amo. Esqueço o aniversário das pessoas e sempre falto a compromissos com outras. Sou inteligente sim, mas sempre me lembro de onde vim. Sou mordida por cachorro e tenho perna queimada no escapamento de moto. Quebrei qualquer parte do corpo várias vezes. Roubei carrinho de rolimã do meu irmão. Sou calma e irritada ao mesmo tempo, como pode? Sou cabeça dura, brigona e ao mesmo tempo amável. Sou orgulhosa. Sou ser humano. Sou cosmopolita e ao mesmo tempo do mato. Me emociono quando posso ajudar alguém a mudar a própria vida. Sou assim, metade qualquer coisa, metade eu. E sabe o que descobri? As pessoas me amam mesmo assim, com todos os meus defeitos e qualidades.

Mas uma coisa eu tenho e faço, não posso deixar de dizer. Tenho esperança e faço questão de exercitar minhas escolhas. E eu opto por SER e a partir disso ver como a vida será planejada para seguir adiante.

5 comentários:

Marcia Hindi disse...

Joicy, simplesmente sensacional!

Leo Soldati disse...

uuuaaalllaaaa.... mto bom o texto, sabias palavras, por essas e por outras q não me canso de dizer: tu és meu orgulho!! rsrsrss

LP disse...

Muito bacana o post! E comentar algo tão bem escrito, intenso e completo seria querer ser mais real que o próprio rei... no caso, Rainha!
Então me resta aplaudir e agradecer por ter conhecido uma pessoa que consegue se descrever de forma tão linda, mostrando como realmente é, deve ser e será sempre!
Beijo!!!

Anônimo disse...

E para quem não sabe quem ela é... Esta é minha amiga Joicy. Amiga que amo e com alegria enorme no coração, posso dizer que sou uma dessas pessoas que ela ensinou a participar da própria vida... .Te amo amiga!!!
Com amor
Andreia Oliveira

M a L u ° ° disse...

participando da democracia inteligente...

vc mora no meu coração.

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