quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O poder da comunidade

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman define comunidade como uma palavra que “guarda sensações, sugerindo coisas boas e um lugar confortável e aconchegante onde estamos seguros, não há perigos ocultos, todos nos entendemos bem, nunca somos estranhos entre nós e podemos contar com a boa vontade dos outros. Enfim, tudo aquilo de que sentimos falta.”

A definição de Zygmunt me chama atenção porque não está vinculada a questões materiais, mas sim a sensações e sentimentos vinculados a um dos principais valores humanos: a liberdade.

O que é liberdade? Pelo dicionário significa independência, licença, permissão. E a quem pertence a liberdade? A quem pertence o poder de ser livre? A nós mesmos. Simplesmente a nós mesmos.

Você percebe que o processo está um tanto invertido ultimamente? Quem parece ter o poder nos diz a todo o momento que nos dará segurança, liberdade, vida com promessas, decisões e ações e nos convence a permanecer imóveis diante da nossa própria vida. Você pensa que estou falando de política e políticos? Não, não estou. Estou falando de empresas privadas, das instituições de fomento às cidades, dos empresários que cobram preços abusivos, das empresas que manipulam o comércio, das escolas que optam por nos dar ensino como desejam, da força policial que nos atende como se não fossemos o motivo de eles existirem e por aí vai. Mas também estou falando de política e politicagem.

Sabe porque? Porque eles nos convencem de que não precisamos fazer nada ou de que não temos poder para fazer alguma coisa. Sabe o que é mais engraçado? Não são as matérias nos jornais, ou grandes multas ambientais, ou ainda escândalos horríveis que fazem as coisas mudarem.
Todas as vezes que mudaram tinham pessoas unidas com um mesmo objetivo. Solicitar e lutar pelo que é direito seu. Pela sua liberdade. Pela permissão de exigir o que, inclusive, a lei diz que é seu direito.

Tolstoi, escritor russo, sabiamente disse que “quem está submisso ao poder não age como quiser e sim como é obrigado... e nisto consiste e sempre constituiu o poder”. E o que é ter poder? Ficar calado ou unir-se para tornar-se forte? Acreditar em tudo o que é dito a nós? Ou dar a si mesmo o benefício da dúvida? Estar sozinho com seus sentimentos, desejos, sonhos? Ou olhar para os lados e unir-ser às outras pessoas para juntos conseguirem realizar tudo isso?

Quando a comunidade está unida, a que pertence o poder? A quem pertence a força?

Pergunto a mim mesma até quando as pessoas dirão que não podem fazer nada ou não possuem nada para enfrentar a própria vida. Para movimentar-se, pressionarem seus líderes de bairro para agir. Procurar esclarecimento e ação.

Penso nas pessoas que recebem asfalto, educação ou esgoto em seus bairros e acham que estão recebendo um presente. Quando na verdade, isso tudo é o mínimo que pode ser feito para dar à comunidade dignidade.

Eu me pergunto. O que eu e você podemos/devemos fazer para que as pessoas estejam unidas, se movimentem e se tornem uma comunidade como foi dito no início desse texto? Para buscar e fazer de suas vidas, bairros e cidades um lugar confortável, seguro, onde todos estão juntos e são respeitados?

Enquanto isso, apenas penso: será que escrever vai servir para alguma coisa? Alguém vai ler e sentir alguma mudança? Vai fazer alguma diferença? Eu espero que sim. Realmente espero que sim!

1 comentários:

Marco Cardoso disse...

Escrever faz toda a diferença, por mais que alguns de nós enxergue a realidade, o grosso da população é cega, as palavras tem efeito de colírio, quantos graus será preciso para enxergamos pela lente da realidade é questão individual e toda mudança começa dentro da gente. Se um único ser ler, já valeu a pena. Viva a comunidade.

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Adoro a democracia inteligente. Fique a vontade para expor suas idéias, mas faça de maneira produtiva.